sexta-feira, julho 20, 2012

Melancia com Flor de Sal com Pólen de Abelhas



Há receitas que, não o sendo, não deixam de ser excelentes ideias que merecem ser partilhadas. E esta é um exemplo perfeito disso. Há já algum tempo descobri o blog de um chef norte-aemricano, descendente de portugueses (dos Açores), com um nome bem português e um livro absolutamente delicioso: o David Leite, e o livro dele, The New Portuguese Table. Ainda não tenho o livro, mas tenho descoberto receitas dele através do blog (e de outros blogs) e é uma das prioridades na minha (enorme) lista de livros de culinária a adquirir assim que o dinheiro sobre e as estantes cresçam.

No blog do David Leite desfilam uma série de receitas dele e de muitos outros chefs e autores de livros e blogs, todas elas de aspecto fantástico. Esta, não sendo bem uma receita e não tendo um aspecto particularmente chamativo, captou-me a atenção pelo invulgar da combinação: melancia e flor de sal. Quando recebi a Flor de Sal com Pólen de Abelhas, decidi que era aqui que a ia experimentar e não me arrependi. Adoro melancia, fresca, doce, sumarenta, a fruta perfeita para um dia quente de Verão. Acrescentar-lhe uma pequeníssima pitada de flor de sal (neste caso, com pólen de abelhas) faz sobressair o sabor e a doçura da melancia de uma forma completamente inesperada. É, sinceramente, uma das melhores coisas que experimentei nos últimos tempos. Se não acreditem, experimentem!

Melancia madura, fresca, de preferência sem pevides
Flor de Sal com Pólen de Abelhas (ou só flor de sal)

Cortar a melancia em fatias com 1,5 a 2 cm de grossura. Partir as fatias ao meio e polvilhar com uma pitada de flor de sal com pólen de abelhas. Servir imediatamente, antes do sal derreter.

A foto não faz justiça a esta maravilhosa flor de sal, com o aroma doce do pólen. O sabor da melancia, no entanto, é perfeito!

quarta-feira, julho 18, 2012

Hash


Há algum tempo a Moira, da Tertúlia de Sabores, partilhou na sua página do Facebook um link para o site da Casa do Sal, onde eles diziam oferecer dois exemplares à escolha dos produtos deles a quem tivesse um blog de receitas em Português. Sem a menor esperança de receber alguma coisa, porque o meu blog mal merece esse nome e porque imaginei que deveria haver muitos mais a querer esta deliciosa oferta, lá me inscrevi e escolhi o Sal Picante para Grelhados e a Flor de Sal com Pólen de Abelhas. Há mais ou menos uma semana, chegaram os dois pelo correio.


Fiquei encantada e logo comecei a imaginar como os iria utilizar. A verdade é que este Sal Picante para Grelhados tem servido para tudo cá em casa, desde temperar carne e peixe para grelhar, até estufados ou mesmo uma massa de arroz que usei para fazer uns rolinhos primavera, mas até agora ainda não o tinha usado em nada que me parecesse digno de partilhar. Afinal, qualquer pessoa consegue grelhar uma costeleta…

Mas quando vi esta receita de Bacon Corn Hash, num dos meus blogs preferidos, soube imediatamente que era aqui que este sal ia brilhar, e soube também o que seria o almoço! Quanto ao nome, sinceramente não sei o que lhe chamar senão o original Hash… Se alguém por aí souber como traduzir isto, que me diga. É uma espécie de salteado, normalmente com batatas e algum tipo de carne, mas que pode ser alterado ao gosto de cada um.

Acabei por fazer uma versão muito diferente da original, com mais legumes, que fez um enorme sucesso cá em casa. O sal, apesar de picante, não deixa o prato assim tão picante e até o pequeno cá de casa comeu a parte dele. Aqui vai…


Para 3 pessoas:
150 g bacon inteiro
1 cenoura média
1 courgette média
1 brócolo pequeno
4 a 5 batatas novas pequenas
1 ch. bem cheia de milho
25 a 50 g manteiga
1 c. sopa óleo
3 ou 4 ovos
Sal picante para grelhados
Salsa picada a gosto (usei cerca de 3 c. sopa)

Cortar o bacon em cubos de 0,5 cm. Lavar bem as batatas, esfregando a pele mas sem descascar. Descascar a cenoura e lavar bem a courgette e o brócolo. Separar o brócolo em raminhos pequenos, cortar a cenoura em meias luas finas, a courgette em tiras de 1 cm de lado e as batatas em cubos de 1,5 cm.

Numa frigideira larga anti-aderente, colocar o bacon e levar ao lume. Deixar o bacon fritar na própria gordura até estar bem dourado e estaladiço. Retirar e escorrer em papel de cozinha.

Na mesma frigideira, acrescentar 25 a 50 g de manteiga (depende da quantidade de gordura libertada pelo bacon) e o óleo (para a manteiga não queimar) e deitar as batatas, numa só camada. Temperar com Sal Picante para Grelhados a gosto. Deixar fritar em lume médio alto até estarem douradas de um lado. Mexer e virar, aumentar o lume e deixar fritar até dourar de todos os lados. Retirar e escorrer em papel de cozinha.

Retirar parte da gordura da frigideira para uma tigela, deixando 1 a 2 colheres de sopa na frigideira. Deitar as courgettes, temperar com Sal Picante para Grelhados a gosto, envolver na gordura e deixar em lume bem forte até dourarem. Mexer e deixar dourar, sem que fiquem moles, não mais do que 5 minutos ao todo. Retirar e, se necessário, escorrer em papel absorvente.

Colocar mais 1 colher de sopa da gordura na frigideira e juntar a cenoura e os brócolos. Deixar ficar sem mexer 1 a 2 minutos, e juntar o milho (se for congelado, não é necessário descongelar; se for de lata, escorrer bem). Temperar com Sal Picante para Grelhados a gosto. Mexer e deixar saltear por 3 a 5 minutos. Juntar as courgettes, as batatas e o bacon, mexer bem e deixar aquecer. Polvilhar com salsa picada, envolver, retirar para os pratos ou para uma assadeira.

Na mesma frigideira, juntar mais 1 ou 2 colheres de manteiga, baixar o lume para médio e colocar os ovos. Tapar e deixar estrelar até que estejam a gosto (nós gostamos deles com a gema bem líquida). Colocar os ovos em cima dos legumes e servir imediatamente.

Notas:
- O facto de se fazer tudo na mesma frigideira não é só mais prático, contribui também muito para o sabor, uma vez que o bacon deixa lá muito sabor que, depois, se transfere para os legumes.

- Isto não é fast food: deixar alourar o bacon e as batatas demora tempo, pelo menos 15 a 20 minutos, e a própria preparação dos legumes é demorada (10 a 20 minutos, dependendo da habilidade e prática do cozinheiro). Já os legumes devem cozer pouco, para se manterem crocantes. Demorei cerca de 45 minutos a preparar tudo, de início a fim.

- É importante temperar cada legume na frigideira, caso contrário o parto ficará insosso. Não coloquei muito sal de cada vez, ao todo devo ter usado umas 2 colheres de chá bem cheias, no máximo, mas deve-se temperar a gosto.

- Outra coisa que este prato não é, apesar da quantidade de legumes, é propriamente saudável: tem bacon e manteiga suficientes para eliminar muitos dos benefícios dos legumes. Para o fazer bastante mais saudável, usar azeite em vez de manteiga e eliminar o bacon. Apesar de lhe dar muito sabor, não é essencial, tenho a certeza que sem ele ficaria igualmente bom.

quinta-feira, julho 12, 2012

Torta da Luísa




Esta receita foi-me dada por uma amiga de uma amiga (a Luísa que, além desta, me deu também a receita dos melhores coquinhos que já comi na vida), há uma data de anos. Por alguma razão, e apesar da geleia de marmelo abundar cá por casa e raramente ser comida sozinha, apenas a fiz uma vez. Quando andava a pensar em formas de usar a geleia de flores de rosmaninho, lembrei-me imediatamente desta torta.

É fácil de fazer, fica muito fofa e é mais fácil ainda de enrolar, o que não pode ser dito de todas as tortas. Desta vez recheei apenas com a geleia, simples, para lhe dar o devido destaque, mas um dia destes vou experimentar um recheio de morangos e chantilly, que adoro, ou mousse de chocolate… Hummm!

6 ovos
O mesmo peso dos ovos de açúcar (mais algum para enrolar)
Metade do peso dos ovos de farinha
Raspa da casca de 1 limão
Geleia para rechear (usei a de flores de rosmaninho)

Aquecer o forno a 180º. Untar um tabuleiro (usei de 25x40 cm) e forrar com papel vegetal. Untar e polvilhar com farinha o papel.

Bater as gemas com o açúcar até ficarem espessas e esbranquiçadas. Bater as claras em castelo. Juntar a farinha peneirada aos poucos, alternando com as claras, envolvendo com cuidado em movimentos circulares de baixo para cima. Deitar a massa no tabuleiro, alisar bem a superfície e levar ao forno 20 a 25 minutos, até um palito espetado no centro do bolo sair seco.

Desenformar sobre um pano limpo polvilhado de açúcar, retirar o papel vegetal, cobrir com uma camada fina de geleia (se necessário, aquecer um pouco para ficar mais líquida). Enrolar com a ajuda do pano e deixar arrefecer embrulhada. Desta vez, como a geleia estava bastante presa e demorei mais algum tempo a enrolar a torta, ela rachou, o que não impediu que tenha feito as delícias de toda a gente cá em casa. Quanto mais depressa se enrolar a torta, menor é a probabilidade de rachar.

segunda-feira, julho 09, 2012

O que fazer com a geleia de flores de rosmaninho


Com a geleia em casa, tive que encontrar formas originais de a utilizar… Aqui ficam algumas:

Bolachas

1 receita destas bolachas
Geleia
Fazer a massa das bolachas como indicado na receita. Formar bolinhas e, com uma colher, com o cabo da colher de pau ou com um dedo, fazer uma depressão no meio da bola de massa. Rechear com um bocadinho de geleia (não deve ficar completamente cheia para não sair por fora). Cozer no forno a 180º, num tabuleiro forrado com papel vegetal, até estarem levemente douradas, cerca de 10 minutos.

Limonada


Sumo de limão
Açúcar a gosto
1 a 2 colheres de sopa de geleia
Desfazer a geleia num pouco de água (se necessário, aquecer uns segundos no micro-ondas). Juntar o sumo de limão, o açúcar e a água. Refrigerar ou servir com cubos de gelo.

Recheio para bolos ou tortas (a receita da torta chegará em breve).


Fica, também, excelente misturada com iogurte natural e, um dia destes, o resto da minha geleia vai servir para fazer um tiramisu que também cá há-de vir parar, se valer a pena…

domingo, julho 08, 2012

Petit Gateau



Há tempos vi uma receita no fabuloso blog da Leonor de Sousa Bastos, Flagrante Delícia. Antes de mais, o blog já vale uma visita só pelas fotos. Ela consegue fazer as coisas mais banais parecer absolutamente decadentes e pecaminosas! Não ajuda que a maior parte das receitas que ela lá publica sejam, de facto, verdadeiros pecados, embora pecado maior fosse não as experimentar.

Esta receita, que ela apelida de “não coulant”, é uma verdadeira maravilha, cuja maior qualidade é, também, o seu maior defeito: faz 10 doses individuais, que devem ser congeladas antes de cozinhar e que podem esperar no congelador até que a vontade surja. Escusado será dizer que a vontade surge com uma rapidez incrível!

Para 10 pessoas (sem tirar nem pôr, daqui, porque, “why mess with perfection?!”)
6 ovos
160 g açúcar em pó (fiz duas vezes, uma delas com açúcar normal)
225 g manteiga amolecida (manteiga mesmo, da verdadeira)
40 g maizena
60 g farinha de trigo (sem fermento)
225 g chocolate em barra, com 70% de cacau (usei o da marca Continente Gourmet, de que gosto bastante e não me leva couro e cabelo)

Derreter o chocolate em banho-maria. Bater a manteiga até estar cremosa. Juntar o açúcar e bater bem. Juntar os ovos um a um, batendo bem entre cada um. Misturar a farinha e a maizena e bater bem. A massa fica bastante líquida e é necessário bater bem para que a farinha fique incorporada e sem grumos.

Deitar a massa em formas individuais untadas e polvilhadas de farinha. A Leonor sugere formas de 5x6cm e 100 g de massa em cada uma. Para não arriscar, fiz exactamente isso, mas não usei formas de bolo, não tinha deste tamanho. Usei uns ramequins de louça que são do tamanho certo. Levar ao congelador até que estejam completamente congeladas – eu fiz de véspera e deixei-as no congelador até ao dia seguinte.

Aquecer o forno a 200º (a primeira vez fiz a esta temperatura, mas cozeram demais, por isso desde aí tenho feito a 220º). Quando estiver bem quente, colocar as formas directamente do congelador (e não, as minhas formas de louça não partiram no forno) e deixar cozer cerca de 20 minutos, até formarem uma crosta por fora, mas estarem bem líquidos no meio (como aumentei a temperatura, cozi menos tempo – 15 a 16 minutos). Sugestão muito útil da autora da receita – fazer um primeiro teste com um bolo e ajustar a cozedura.

Servir bem quente (acabado de sair do forno), com uma bola de gelado. Pelo tempo que demora a cozer, estes bolinhos são perfeitos para pôr no forno no início do jantar e comer quentinho à sobremesa!

Estes bolinhos são, de facto, caprichosos e acho que ainda não acertei totalmente com a fórmula da cozedura. Para explicações mais detalhadas, sugiro a leitura atenta da receita da Leonor, incluindo os comentários. Há uma série de perguntas que algumas pessoas foram colocando e que me ajudaram imenso.