sexta-feira, agosto 31, 2012

Pato com Abacaxi



Adoro comida chinesa, sempre adorei. Aliás, adoro comida oriental, os cheiros e sabores das especiarias orientais deixam-me literalmente tonta. Mas não adoro comer em restaurantes chineses… O meu problema com os restaurantes chineses é só um: MSG, ou monoglutamato de sódio.

Durante vários anos comi comida chinesa quase semanalmente, até que a dada altura comecei a sentir fortes dores de cabeça sempre que ia a um restaurante chinês. A princípio pareceu-me estranho, mas a verdade é que a dor de cabeça começava uns 10 a 15 minutos depois de começar a comer e durava várias horas. Depois de algumas pesquisas na internet, descobri que não era impressão minha, era antes uma reacção alérgica ao mal-fadado MSG – um intensificador de sabor muito usado pelos restaurantes chineses fora da China…

Assim, deixei de ir a restaurantes chineses, mas deixar de comer comida chinesa estava completamente fora de questão. Então fiz o que sempre faço nestas ocasiões: procurei até encontrar receitas que me agradassem e que pudesse facilmente fazer em casa. Esta é uma delas, pensada para substituir uma receita de Pato no Ananás que comíamos num dos nossos restaurantes chineses favoritos. Não ponho o pato no ananás (dá trabalho demais...), mas posso assegurar que fica delicioso!

Para 3 pessoas:
2 peitos de pato
1 clara de ovo
3 c. sopa maizena
1 fatia grossa (2 cm) de abacaxi, descascado, sem o centro, e cortado em pedaços de cerca de 1 cm de lado
1 cebola pequena, descascada e cortada em bocados de cerca de 1 cm
1 cenoura pequena, descascada, partida ao meio e cortada em meias rodelas de 2 a 3 mm de espessura
1 pimento verde pequeno, lavado, sem sementes e cortado em bocados de 2 cm
200 g. cogumelos shitake, limpos, sem pé, cortados ao meio (ou em 4 se forem grandes)
3 – 4 c. sopa azeite ou manteiga (ou uma mistura dos dois)
Sal e piri-piri a gosto

Molho:
Sumo de meia laranja
½ c. sopa maizena
1 c. sopa bem cheia açúcar
1 c. sopa molho sweet chili
2 c. sopa ketchup
1 c. sopa molho de peixe
3 c. sopa molho de soja
3 c. sopa vinagre de sidra ou de arroz
½ ch. água

Arroz Chau-Chau

2 punhados mal cheios de arroz
½ ch. ervilhas
½ ch. milho
2 ovos grandes
1 c. sopa azeite ou manteiga

Num tacho com bastante água a ferver temperada com sal, deitar o arroz. Deixar ferver 3 a 4 minutos e juntar as ervilhas e o milho. Deixar cozer até que o arroz esteja al dente.

Entretanto, tirar a pele aos peitos do pato e cortar em tiras de cerca de 0,5 cm. Colocar numa tigela, juntar a clara de ovo e a maizena e mexer bem até todos os bocados de carne estarem cobertos pela mistura. Numa frigideira, de preferência antiaderente, aquecer o azeite (ou a manteiga) e fritar os bocados de pato em lume forte até estarem dourados dos dois lados. Se necessário, fritar em duas ou três vezes. Retirar para um prato e reservar.

Na mesma frigideira, colocar a cebola e a cenoura e saltear em lume forte 2 a 3 minutos. Juntar os cogumelos e saltear até se evaporar o líquido que deitam. Entretanto, misturar todos os ingredientes para o molho numa taça. Juntar a carne do pato ao tacho e envolver. Juntar o molho e deixar levantar fervura, mexendo sempre para não criar grumos. Baixar o lume e deixar apurar 4 a 5 minutos. Temperar a gosto com sal e piri-piri.

Escorrer o arroz e bater os ovos. Juntar o abacaxi e o pimento à mistura da carne e mexer. Deixar ferver mais 2 minutos. Numa outra frigideira antiaderente aquecer uma colher de sopa de azeite ou manteiga. Deitar os ovos e mexer com uma colher de pau até que alguns pedaços comecem a estar cozidos, mas ainda com bastante ovo líquido. Juntar o arroz com as ervilhas e o milho e mexer muito bem, envolvendo o arroz no ovo ainda cru e distribuindo os pedaços de ovo cozido uniformemente.

Retirar do lume o arroz e o pato, deitar em travessas ou pratos de servir e servir imediatamente.

Notas:
- O que demora mais a fazer neste prato é preparar os vários elementos. Depois de se começar a cozinhar, não deve demorar mais de 15 minutos (máximo!). É, por isso, muito importante que se faça toda a preparação dos legumes, fruta e molho antes de colocar a frigideira ao lume – assim, quando se começar a cozinhar, não é preciso fazer mais nada a não ser concentrarmo-nos no processo, que exige alguma atenção. Ainda assim, demorei cerca de 50 minutos a fazer tudo, incluindo preparar os legumes e a carne;

- O arroz pode ser cozido previamente, com as ervilhas e o milho, se se preferir. O único cuidado a ter é não o deixar cozer demasiado (ainda vai cozer mais um bocadinho com o ovo) e passar bem por água fria para eliminar a goma e parar a cozedura. Se necessário, juntar um fio de azeite e mexer bem, para não colar;

- Passar a carne por clara de ovo ajuda, supostamente, a torna-la mais tenra. Li isso já não sei bem onde e a verdade é que resulta. A maizena torna-a mais crocante e ajuda a engrossar o prato, uma vez que se prepara tudo na mesma frigideira. É importante que a carne seja alourada numa camada única e em lume bem forte, mesmo que seja necessário fazer em 2 ou 3 vezes, para ficar bem dourada. A intenção não é cozer totalmente, apenas alourar. Tudo isto seria muito mais fácil num Wok, mas não tenho e não é absolutamente necessário.

quarta-feira, agosto 22, 2012

Tiramisu de Limão



A intenção era fazer um tiramisu de lavanda (com a geleia das flores da dita), mas o sabor da lavanda foi completamente obliterado pelo do limão. Mas nem tudo são más notícias… O tiramisu de limão ficou delicioso, e muito mais fresco que a versão tradicional, perfeito para dias quentes! Por isso, aqui fica, enquanto os dias continuam quentes.

Para 6 a 8 pessoas:
250 g mascarpone (deve estar à temperatura ambiente)
4 c. sopa açúcar
Sumo e raspa de dois limões
5 ovos grandes
200 g biscoitos de champanhe

Bater as gemas com o açúcar até estarem cremosas e esbranquiçadas. Juntar o mascarpone e a raspa da casca dos limões e envolver completamente. Bater as claras em castelo (para facilitar, deve juntar-se uma pequena pitada de sal). Envolver com cuidado na mistura de mascarpone, sem bater.

Colocar o sumo dos limões num prato fundo. Juntar igual quantidade de água quente (quem gostar das coisas menos ácidas, pode juntar aqui uma colher de sopa de açúcar). Molhar metade dos biscoitos nesta mistura e colocar no fundo de uma taça de vidro (ou de taças individuais, que foi o que fiz). Cobrir com metade do creme de mascarpone e repetir com os restantes ingredientes. Levar ao frigorífico pelo menos duas horas e servir bem fresco.

Notas:
- Para envolver as claras deve-se começar por colocar uma pequena quantidade de claras (duas ou três colheres de sopa) na mistura de mascarpone e, com uma colher de metal grande, usar movimentos circulares de baixo para cima, rodando a taça para envolver. Depois deve-se juntar o resto das claras em 3 vezes, usando o mesmo procedimento para as envolver: “cortar” a mistura de cima para baixo, com a colher na vertical, até chegar ao fundo; rodando a taça, trazer a colher para cima junto à parede da taça; repetir o movimento de cortar e levantar, rodando a taça entre ¼ e ½ volta de cada vez, até não se verem mais claras antes de incorporar mais.

- Neste tiramisu não acho que o cacau fique muito bem para polvilhar, por isso usei um açúcar com raspa de limão (parecido com este sal, mas feito com açúcar). É totalmente opcional, é só para lhe dar uma piada porque não acho que precise de mais açúcar.

sexta-feira, agosto 17, 2012

Panquecas de Curgete



Há pouco tempo descobri, num blog que adoro, uma receita que me parecia a forma perfeita de comer panquecas ao pequeno-almoço. A Deb, do Smitten Kitchen, conseguiu fazer umas panquecas que não só têm pouquíssima gordura (ainda por cima azeite) e ainda menos açúcar, como as fez com metade da farinha integral e 250 g de curgete ralada. Ou seja, isto é praticamente o equivalente a comer um prato de curgete ao pequeno-almoço!

Além de serem muito saudáveis (principalmente para panquecas), são absolutamente deliciosas, mesmo sem nada. Claro que panquecas exigem acompanhamento, e já que estamos no Verão, resolvi aproveitar a abundância de fruta. Já as fiz com morangos e ficam perfeitas, mas desta vez foram os pêssegos que brilharam como joias em cima destas pequenas maravilhas. Provado e aprovado por todos cá em casa, em particular o Diogo que comeu duas!

Para 12 panquecas de cerca de 10 cm (daqui):
2 c. sopa iogurte grego
2 c. sopa leite
2 ovos
2 c. sopa açúcar
3 c. sopa azeite
250g curgete ralada (uma curgete de cerca de 300 g)
½ ch. farinha integral
½ ch. farinha com fermento
1 c. chá bicarbonato de sódio
1 c. chá canela
1 pitada sal

Acompanhamento:
2 iogurtes gregos não adoçados (um dos quais pode servir para se tirarem as 2 c. sopa para a massa das panquecas)
1 vagem baunilha
2 c. sopa açúcar
2 pêssegos, ou 200 g morangos, ou outra fruta a gosto (amoras, por exemplo)

Fazer primeiro os acompanhamentos:
Descascar e cortar em pedaços pequenos os pêssegos. Deitar 1 c. sopa de açúcar por cima, envolver e deixar repousar enquanto se fazem os outros elementos. Retirar para uma taça 2 c. sopa de um dos iogurtes e deitar o resto numa taça de vidro. Retirar as sementes da vagem de baunilha e juntar ao iogurte. Juntar 1 c. sopa de açúcar e mexer bem.

Fazer as panquecas:
Juntar às 2 c. sopa de iogurte o leite, os ovos, o açúcar e o azeite. Misturar bem. Juntar a curgete e mexer. Numa taça à parte misturar as farinhas, o bicarbonato de sódio, a canela e o sal. Juntar à mistura de curgete e mexer com uma colher de pau até estar incorporado (não bater ou mexer demais!).

Colocar uma frigideira antiaderente em lume médio. Quando estiver quente, deitar colheradas (com uma colher de servir) na frigideira, bem separadas. Achatar ligeiramente as panquecas (se necessário) e deixar cozinhar até estarem douradas por baixo e começarem a rebentar pequenas bolhas por cima. Virar com uma espátula e cozinhar até estarem douradas no outro lado. Manter quentes no forno aquecido a 100º. Servir quentinhas, com o iogurte e a fruta.

Notas:
- Quando se acrescenta a curgete à massa, parece que não vai ser possível incorporar tanta farinha, mas é. A massa fica, inicialmente, muito grossa, mas a curgete deita muito líquido e, se as panquecas demorarem algum tempo a fazer, as últimas serão bem mais líquidas que as primeiras (mas em nada menos deliciosas);

- O passo de manter as panquecas quentes no forno serve dois propósitos: mantém-nas bem quentinhas até à hora de servir; acaba de as cozinhar, uma vez que a massa fica bastante grossa e elas podem não acabar de cozer o suficiente no fogão. Recomendo vivamente não saltar este passo;

- O iogurte grego é mais grosso que o iogurte normal e a vagem de baunilha é um pequeno luxo. Pode-se passar sem ela ou substituir por extracto ou até aroma de baunilha. Ou então, pode-se usar simplesmente um iogurte natural açucarado, de preferência cremoso, ficaria igualmente bom.

segunda-feira, agosto 13, 2012

Salada com Melancia e Presunto



A ideia para esta salada partiu da “receita” de melancia com flor de sal. A ideia é que se a melancia fica tão bem com flor de sal, e se melão com presunto é uma entrada tão boa, então uma salada com melancia e presunto não pode ser má! Tenho visto por essa internet fora uma enorme quantidade de saladas com melancia e sempre lhes torci o nariz. Mas depois de ter experimentado melancia com sal, converti-me e esta salada já foi feita várias vezes cá em casa.

Apesar de achar que a melancia torna esta salada realmente perfeita, consigo imaginar que fique bem com muitas outras frutas. Por cá já experimentei com nectarina, e ficou boa (embora não tão boa como com a melancia), mas imagino que o melão não lhe fique nada atrás. Experimentem e digam qualquer coisa!

Para 3 pessoas como prato principal ou 6 como acompanhamento:
1 alface média, lavada e partida em pedaços pequenos
2 tomates médios, lavados e cortados em gomos
2 bolas de mozzarella, cortadas em cubos
1 cebola pequena, cortada em gomos finos (se for brava, marinar em vinagre de vinho e uma pitada de sal 5 a 10 minutos)
2 fatias grossas de melancia, sem sementes, cortada em cubos
½ ch. folhas de manjerico
Flor de sal com pólen de abelhas
Azeite e vinagre de vinho a gosto

Nos pratos (ou numa taça grande) colocar uma cama de alface. Temperar com a flor de sal com pólen de abelhas. Por cima dispor os gomos de tomate, espalhar metade das folhas de manjerico e temperar novamente. Colocar por cima a cebola (se marinada, bem escorrida), a melancia e a mozzarella e voltar a temperar. Arranjar as fatias de presunto no cimo da salada e polvilhar com o restante manjerico. Servir imediatamente, com azeite e vinagre para temperar a gosto.

É importante temperar cada camada da salada com a flor de sal (ou sal normal), caso contrário, uma vez que a salada é servida em camadas e não é mexida, as camadas de baixo acabam por não ser temperadas. De qualquer forma, aconselho mão leve no tempero de cada camada, até porque o presunto já é salgado.

sexta-feira, agosto 10, 2012

Sangria Branca de Pêssego e Baunilha



Esta sangria surgiu porque tinha em casa uma garrafa de vinho branco de qualidade duvidosa, que não me apetecia beber, mas que também não me parecia bem deitar fora. A fruteira estava cheia de pêssegos, aromáticos mas não muito maduros, e já que a baunilha combina tão bem com pêssego, quis fazer a sangria apenas com estes sabores. Em boa hora o fiz! Acho mesmo que é a melhor sangria que já fiz, e olhem que tenho feito bastantes. Agora imaginem isto com um vinho mesmo bom!...

500 ml vinho branco bem fresco (usei verde e acho que, em sangria, resulta melhor)
250 ml refrigerante de lima-limão bem fresco
1 pêssego grande (ou nectarina, ou dois pequenos)
Açúcar a gosto

Lavar o pêssego e partir em cubos de cerca de 1,5 cm. Não costumo tirar a pele, mas quem não gostar da pele do pêssego pode descascá-lo. Deitá-lo num jarro, juntamente com o açúcar e o extracto de baunilha. Deixar macerar no frigorífico cerca de 30 minutos, mexendo de vez em quando. Juntar o vinho e mexer bem. Juntar o refrigerante e agitar com cuidado, para não perder o gás. Servir bem fresco ou com gelo.

Notas:
- A quantidade de açúcar a usar depende muito do vinho: se for frutado e doce, vai precisar de menos açúcar. Eu usei 4 c. sopa e ficou doce demais. Aconselho começar com 2 c. sopa, e acrescentar mais se necessário.

- O extracto de baunilha deve ser do verdadeiro, feito em casa ou comprado. O aroma de baunilha que se compra nos supermercados é escuro (o que vai afectar a cor da sangria) e não tem o mesmo sabor. Desde que fiz o meu extracto, nunca mais comprei aroma e está na hora de comprar mais baunilha para renovar o stock!